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Run #31 – De olho na tempestade em Seaside

Uma corrida de segunda‑feira em clima de férias, na praia de Seaside, misturando areia e ruas e pausando Ready Player Two para ouvir só o som do oceano.

Essa corrida não estava nos planos originais. Como estávamos em um road trip pela costa até Seattle, eu não tinha nenhum percurso específico em mente – a ideia era simplesmente deixar cada dia nos levar a um lugar diferente. Quando decidimos dormir em Seaside, Oregon, a Paula e eu achamos que seria especial correr naquela faixa famosa da costa do Oregon, com os formações rochosas que lembram Haystack Rock e as agulhas de pedra (The Needles) mais ao sul, em Cannon Beach. A região da costa norte do Oregon é conhecida por suas praias largas e boas para correr, muitas vezes embaixo de um céu cinza e dramático, o que combina bem com esse tipo de corrida “experimental de férias”.

O plano inicial era alugar uma bicicleta de pneu largo para a Paula pedalar na areia ao meu lado. Mas, quando chegamos na loja de bikes no final da tarde de domingo, o dono nos avisou que uma tempestade forte estava prevista para a manhã de segunda, que a loja estaria fechada e que pedalar na praia nessas condições não seria uma boa ideia. Sem bicicleta e com chuva na previsão, o plano virou uma corrida solo, saindo direto do hotel e indo a pé até a praia. A praia de Seaside tem uma faixa ampla de areia e um pequeno grid de ruas da cidade, o que facilita misturar areia e asfalto sem se preocupar demais com o trânsito.

Comecei a corrida ouvindo Ready Player Two, a continuação sci‑fi do Ernest Cline que retoma a história do Wade Watts e do OASIS com uma nova missão virtual cheia de riscos. A narração me acompanhou por um tempo sob o céu nublado, até que o som do Pacífico começou a chamar mais atenção: o barulho constante das ondas quebrando naquela praia larga do Oregon é impressionantemente relaxante. Em algum momento, decidi pausar o audiobook e seguir só com essa trilha sonora natural. Estudos mostram que sons de água, especialmente de ondas do mar, ajudam a reduzir o estresse e trazer sensação de calma, exatamente o que eu sentia naquele trecho da corrida.

A areia estava em geral bem firme perto da linha da água, como costuma acontecer na costa do Oregon e o que deixa a corrida de praia muito mais confortável; já perto da ponta norte da praia, a areia ficava visivelmente mais fofa e desafiadora. Essa mistura de areia molhada e dura, trechos mais macios e algumas ruas pavimentadas criou um percurso variado e quase lúdico – bem diferente das trilhas habituais da Bay Area. Correr sozinho à beira do oceano, sabendo que essa saída quase foi cancelada pela previsão, fez a experiência inteira parecer uma pequena vitória arrancada de uma tempestade que, no fim, nunca chegou de verdade.

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