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Run #32 – Quilômetros no South Bay com uma máquina brasileira

Um treino social na Bay Trail com a Paula, a Tatiana e o Bebeto, em que correr ao lado de uma “máquina” de maratonas transformou um passeio amigável em um esforço de respeito.

Depois do desvio costeiro em Oregon, a corrida #32 me trouxe de volta para casa, no South Bay. A Paula e eu estávamos recebendo amigos do Brasil, o Bebeto e a Tatiana, e pareceu natural encaixar o desafio 52@52 nos planos e convidá‑los para participar de um run/ride. Escolhemos as trilhas próximas à água na parte sul da Baía de São Francisco, usando os trechos planos que conectam as áreas de margem e segmentos da Bay Trail, muito usados por caminhantes, ciclistas e corredores. Esses percursos perto de Palo Alto, Mountain View e das Baylands oferecem terreno fácil, praticamente plano, com céu aberto e vista para a água – perfeitos para um longão social.

Desde o início, correr com o Bebeto mudou o tom do dia. Ele é daquele tipo raro de pessoa que consegue encarar uma maratona quase “por diversão”, sem precisar daquele bloco longo e rígido de treino que a maioria de nós precisa. Como fisiologista há muitos anos no Clube Atlético Mineiro — Galoooooo!!! — ele passa a vida profissional pensando em monitoramento, condicionamento e desempenho dos jogadores, e existe até uma página oficial do clube com vídeo e entrevista dele comentando os desafios do trabalho na fisiologia do Galo. Compartilhar quilômetros com alguém que entende tanto a ciência quanto a sensação da corrida de longa distância deu um sabor especial a esse treino.

Consegui acompanhar o ritmo dele até aproximadamente o quilômetro 15, aproveitando a conversa e tentando não deixar que o passo natural de “máquina de maratona” me tirasse demais da zona de conforto. Depois desse ponto, o Bebeto seguiu sozinho, estendendo o percurso para passar pela região do aeroporto de Palo Alto, o que seria um trecho um pouco longo demais para mim naquele dia. A área das Baylands e da Bay Trail em torno da Baía é predominantemente plana e aberta, o que a torna ideal para esticar o percurso até onde o condicionamento aguenta (ou, no caso dele, até onde a vontade de correr por diversão mandar).

Enquanto isso, a Paula e a Tatiana vinham pedalando e apoiando, transformando o treino em um encontro social em movimento à beira da baía. Mesmo sendo uma corrida em clima de amizade, tentar acompanhar o Bebeto nesses primeiros 15 km deixou essa saída bem mais pesada do que um longão típico em casa, especialmente nesses trechos de margem planos em que é fácil ir “empurrando” a distância um pouco mais. No fim, eu também acabei correndo mais do que o planejado: em vez de parar na distância clássica de meia maratona, de 13,1 milhas, fechei o treino com 14,95 milhas, o que tornou o dia ainda mais satisfatório. As Baylands e a Bay Trail são perfeitas para esse tipo de decisão de última hora, já que a rede de trilhas é ampla, plana e fácil de estender quando as pernas ainda têm um pouco mais a oferecer.

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