Coyote Creek Trail, portões, tênis, audiolivros e pequenas epifanias
Kelley Park, drama no fechamento e um Miata vermelho
A corrida #14 começou no estacionamento do Kelley Park, em San José, onde eu descobri da pior maneira que o estacionamento é pago: 10 dólares para deixar meu Miata vermelho 2007 lá, provavelmente por causa da proximidade com o Happy Hollow Park & Zoo. Também descobri que o parque fecha às 17h, o que parece bem cedo para um fim de semana de fevereiro, especialmente com ainda bastante claridade.
Voltei da Coyote Creek Trail logo depois das 17h e encontrei o portão de pedestres entre a trilha e o estacionamento já trancado, o que me obrigou a voltar passando pelos portões de carro: meio fechado na entrada, meio aberto na saída. Dentro do estacionamento quase vazio só restavam dois veículos, o meu Miata e um caminhão do City of San José Parks, Recreation and Neighborhood Services; o funcionário veio confirmar educadamente se eu era mesmo o dono do carro vermelho e comentou que a sinalização com o horário de funcionamento realmente poderia ser melhor. Corri os últimos metros dentro do estacionamento, parei o relógio pouco antes das 17h02, pulei completamente o alongamento, abaixei a capota (o clima merecia!) e fui embora aliviado por não ter atrasado muito a equipe de fechamento.



Sozinho na Coyote Creek Trail
Desta vez corri sozinho na Coyote Creek Trail, sem a minha câmera Insta360, o que deu um tom mais silencioso e introspectivo ao treino. Tirei só algumas poucas fotos com o celular, trocando o ritual de filmar e enquadrar por simplesmente ouvir as passadas, o córrego e, de vez em quando, o trânsito ao fundo. A trilha em si, basicamente plana e amigável, foi perfeita para um longão no fim da tarde em que o principal desafio não era o ritmo, e sim sincronizar tudo com o horário de fechamento do parque.


Nerd dos tênis: zero drop ou nada
A corrida #14 foi mais um teste para o meu Altra Rivera 3, um tênis de estrada neutro, com zero drop, amortecimento moderado e cerca de 28 mm de entressola, que já começa a mostrar bem o desgaste na sola e na espuma. Mesmo tendo outros pares em bem melhor estado (incluindo um Topo Athletic Phantom 4 quase novo, dois pares de Hoka e um New Balance Fresh Foam X More Trail v3), os Rivera têm sido os responsáveis por ir “consertando” meu joelho aos poucos, provavelmente porque me incentivam a aterrissar mais com o médio/antepé.
Durante a corrida fiquei especialmente atento à sensação dos dedos se abrindo dentro do tênis, algo facilitado pelo formato mais largo da região frontal e pelas meias de cinco dedos baratinhas da Amazon, o que praticamente aposentou mentalmente qualquer tênis com biqueira estreita. O New Balance Fresh Foam X More Trail v3 ainda me tenta com a sua placa absurda de espuma protetora e forma bem larga, mas a falta total de flexibilidade faz parecer que estou correndo em cima de uma prancha blindada: ótimo se eu esperasse pedras afiadas ou cacos de vidro, péssimo se a ideia é ter passada mais natural.
A melhor notícia do dia veio das articulações: o joelho se comportou quase perfeito durante a corrida e, mais impressionante ainda, me deixou descer as escadas na manhã seguinte sem dor alguma, um pequeno milagre depois das últimas semanas. A panturrilha esquerda reclamou cada vez mais, especialmente depois de uma parada forçada de dois minutos em um cruzamento, mas até essa dor acalmou bem durante a noite, reforçando minha decisão de focar em tênis com zero drop, flexíveis e com biqueira larga daqui para frente.
Clima, horário e combustível
O clima estava absolutamente perfeito para um longão: em torno de 15 graus Celsius do início ao fim, com sol suave filtrado por nuvens e índice UV por volta de 0–1. Corri sem boné, sem proteção de pescoço e sem manguitos, e não senti falta de nada, aproveitando o raro equilíbrio entre ar fresco, luz amena e quase nenhum vento.
Começar perto das 15h foi uma mudança em relação ao meu hábito de sair bem cedo, e eu estava preocupado em ter energia nesse horário, mas o corpo respondeu bem. Tomei um único gel Huma logo depois do retorno, ali pelos 10,5 milhas, e bebi água do reservatório só de vez em quando, precisando de bem menos hidratação do que o normal graças à combinação de temperatura amena e pouco sol.
No fim, a corrida #14 acabou sendo menos sobre ritmo ou paisagem e mais sobre pequenas viradas silenciosas: entender as manhas do horário do Kelley Park, reforçar a fé no zero drop e finalmente acordar com um joelho que me deixou descer as escadas sem reclamar.
Audiolivros e fones open‑ear na corrida
Durante essa corrida terminei o audiolivro “End Game”, do Jeffrey Archer, um thriller ambientado nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 que mistura conspiração fictícia com bastidores bem verossímeis de logística e segurança do evento. Não chegou a ser o meu favorito recente (difícil competir com a epopeia de ficção científica “To Sleep in a Sea of Stars”, do Christopher Paolini, brilhantemente narrada pela Jennifer Hale), mas ainda assim foi envolvente o suficiente para me acompanhar pela Coyote Creek.
A narração, por outro lado, é de altíssimo nível: George Blagden consegue dar vozes distintas a um elenco grande de personagens, mantendo um fio emocional coerente e um ritmo fácil de acompanhar, mesmo quando você está ofegante. Ouvi usando novamente meus SoundPEATS PearlClip Pro Ear Ultra Open Ear Earbuds, fones abertos que se prendem na orelha, deixam o som ambiente livre (ótimo para segurança) e hoje custam algo em torno de menos de 60 dólares, o que os torna uma opção com excelente custo‑benefício para corridas e audiolivros. Eles são tão leves e confortáveis que muitas vezes eu simplesmente esqueço que estou usando e só percebo que ainda estão lá bem depois de terminar a corrida. A qualidade de som não é de estúdio, mas para voz e podcasts, pelo preço, é mais do que suficiente, e eu prefiro esse estilo a fones totalmente vedados que bloqueiam o som ao redor quando estou perto de ruas ou outras pessoas.
Para quem quer algo ainda mais em conta, outra opção que costuma aparecer mais barata em promoções na Amazon é o Soundcore C50i Open Ear Earbuds, que segue a mesma filosofia de deixar o canal auditivo livre, priorizar consciência do ambiente e conforto em vez de graves estrondosos, embora eu ainda não tenha testado esse modelo. No outro extremo, já experimentei os SHOKZ OpenDots ONE, bem mais caros, e acabei devolvendo, porque para o meu uso — ouvir audiolivros e blogs correndo — o ganho de qualidade de som não compensou a diferença de preço.

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